Coração - Novidades em estimulação cardíaca artificial e arritmias
Por: WR Estratégica - 14/09/2018

Cerca de 200 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de arritmias cardíacas no Brasil

O marcapasso, dispositivo cardíaco criado em 1932, já passou por muitas evoluções e impede a morte súbita

 

O ritmo cardíaco natural é controlado por um sistema independente de células especializadas do coração, mantendo, em repouso, uma frequência em torno de 70 batimentos por minuto. Quando correto, o ritmo cardíaco promove adequada circulação sanguínea por todos os órgãos. Quando há problemas com o ritmo normal do coração, podem aparecer palpitações, mal-estar, tonturas, perda dos sentidos e até mesmo morte súbita. Muitas vezes, uma arritmia pode não ser letal, mas pode, por exemplo, ocasionar um mal-estar no trânsito, o que gera um risco para o paciente e para terceiros. Por isso, garantir o ritmo do coração é tão importante. 

A alteração no ritmo dos batimentos cardíacos é denominada de arritmia cardíaca. Ela pode acontecer quando o coração bate muito rápido, muito devagar ou de forma irregular. Em grande parte dos casos, o tratamento indicado é o implante de um marcapasso, dispositivo altamente confiável e seguro e que garante o ritmo adequado do coração. Pode-se dizer que ele funciona, na cardiologia, da mesma forma que os óculos de grau funcionam na oftalmologia, corrigindo a visão do paciente. 

Nos últimos 30 anos, mais de 350 mil pacientes receberam o implante no Brasil e passaram a ter uma vida mais saudável. 

O Dr. Celso Salgado de Melo há mais de 30 anos é o médico responsável pelo Serviço de Marcapasso do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), em Uberaba (MG). Há mais de 40 anos, Dr. Celso se dedica a reunir e catalogar as mais de 600 peças que fazem parte do Museu do Marcapasso do DECA (Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial) da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), que representa hoje o maior acervo de estimulação cardíaca e eletrofisiologia do mundo. O museu ocupa atualmente um espaço de 100 m² no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, e conta a história do marcapasso no Brasil. 

Para ele, alguns marcos importantes na evolução dos marcapassos trouxeram ainda mais benefícios aos pacientes. Entre eles, a construção dos marcapassos dupla-câmara nos final da década de 1970; o advento dos sensores na década de 1980; a invenção dos cardiodesfibriladores automáticos na década de 1980, que mudou a evolução dos pacientes com risco de morte súbita e, mais recentemente, em 1990, a introdução dos marcapassos ressincronizadores, dispositivos que mudaram a história natural da insuficiência cardíaca. 

“Desde o primeiro implante, realizado em 1958, os marcapassos evoluíram e mudaram completamente a abordagem de pacientes com frequência cardíaca baixa (bradicardia) e com sintomatologia incapacitante. Todas as incorporações tecnológicas foram muito importantes na evolução desse dispositivo, mas o advento dos marcapassos ressincronizadores teve um impacto muito grande no tratamento dos pacientes com insuficiência cardíaca grave”, relata. Outro grande avanço, na opinião do especialista, foi o surgimento dos dispositivos compatíveis com ressonância magnética, que trouxeram importante melhoria na qualidade de vida aos pacientes. 

Com relação ao futuro da estimulação cardíaca, Dr. Celso acredita que grandes contribuições já estão sendo incorporadas aos equipamentos, como a modulação da contratilidade cardíaca para pacientes com insuficiência cardíaca e QRS estreito, além dos dispositivos sem cabos-eletrodos, que são os minimarcapassos da nanotecnologia. 

Dr. Celso compara a descoberta do marcapasso a outras grandes invenções da humanidade. “O marcapasso está para a cardiologia assim como o avião, a eletricidade, os computadores e o telefone celular estão para a sociedade. Esses foram grandes inventos que trouxeram grandes benefícios para a humanidade, exatamente como o marcapasso mudou para melhor a qualidade de vida dos pacientes cardíacos”, finaliza.

Sobre a BIOTRONIK
Como uma das empresas líderes de dispositivos médicos cardiovasculares, a BIOTRONIK, que tem sede em Berlim, Alemanha, está presente em mais de 100 países. Aproximadamente cinco milhões de corações de pacientes pelo mundo receberam implantes BIOTRONIK, desenhados para salvar e melhorar a qualidade de suas vidas. Desde o desenvolvimento do seu primeiro marcapasso em 1963, a BIOTRONIK lançou vários produtos inovadores no mercado - incluindo o monitoramento remoto Home Monitoring® em 2000 e o primeiro cadioversor desfibrilador ressincronizador implantável para insuficiência cardíaca com tecnologia ProMRI®, aprovada para ressonância magnética em 2012.

 

CARDIOLIGHTS DEBATE AS MAIS RECENTES ATUALIZAÇÕES MÉDICAS EM ESTIMULAÇÃO CARDÍACA ARTIFICIAL E ARRITMIAS

Evento reúne 120 médicos de todo o Brasil na capital paulista

 

A BIOTRONIK, líder nacional em dispositivos médicos cardiovasculares, recebeu médicos cardiologistas, de todo o país e que atuam na área de estimulação cardíaca artificial e arritmias para debaterem as principais e as mais recentes informações sobre a área nos dias 21 a 23 de setembro, em São Paulo.

O CardioLights traz um resumo de temas selecionados dos principais fóruns internacionais, Heart Rhythm Annual Scientific Sessions (HRS) e EHRA Europace Congress, com a coordenação científica de importantes especialistas do país.

Conheça as novidades que foram apresentadas no CardioLights

 

Tecnologia em benefício da saúde do coração

Nem sempre é fácil diagnosticar as arritmias cardíacas, principalmente a Fibrilação Atrial (FA), que atinge cerca de 1,5 milhões de brasileiros. Na FA as câmaras superiores do coração, que representam 30% da capacidade de funcionamento do órgão, deixam de se contrair por causa de impulsos rápidos e irregulares. Com isso, o sangue não circula adequadamente durante o batimento cardíaco, levando à formação de pequenos coágulos que podem sair do coração e bloquear as artérias do cérebro ou qualquer outra região do corpo, sendo uma das principais causas de AVC e embolias diversas.

O diagnóstico da FA não é tão simples porque muitas pessoas não apresentam sintomas ou os apresentam de maneira intermitente, ou seja, os episódios acontecem esporadicamente e nem sempre durante os exames tradicionais.

Mas a tecnologia de hoje está contribuindo significativamente para um diagnóstico mais fácil dessas anomalias. A Apple desenvolveu um aplicativo que usa dados do Apple Watch e do Iphone para identificar ritmos cardíacos irregulares, incluindo as condições potencialmente graves, como a Fibrilação Atrial. A tecnologia faz um eletrocardiograma por meio de uma banda especial com leitura equivalente ao exame tradicional e envia os resultados diretamente aos médicos.

O estudo Apple Heart Study em colaboração com a Stanford Medicine, apresentado recentemente no Heart Rhythm Annual Scientific Sessions, recruta voluntários pela internet e tem o objetivo de avaliar a real incidência da FA na população em geral.

Outras empresas também estão investindo no desenvolvimento de tecnologias semelhantes. Já existe, por exemplo, softwares de Holter baseados no telefone celular. Nesse caso, os eletrodos são conectados ao paciente e os dados são transmitidos aos médicos automaticamente. Esse tipo de tecnologia não vai substituir os exames tradicionais, mas certamente vai baratear os custos atuais e, assim, viabilizar que um maior número de pessoas tenha acesso a um diagnostico mais preciso. 

Estudo Cabana

Os resultados de um dos estudos mais aguardados dos últimos tempos, o Cabana Multicenter International Randomized Clinical Trial, foram apresentados em maio deste ano no Heart Rhythm Annual Scientific Sessions.

Entre os principais resultados, o estudo comprovou que ablação por cateter é mais eficiente que o uso de medicações no tratamento da Fibrilação Atrial. Na análise realizada de acordo com o tratamento recebido por cada paciente, registrou-se que o procedimento pode reduzir em 47% as recidivas da arritmia e em 37% a combinação de risco de morte, da ocorrência de AVC e parada cardiorrespiratória.

Com esses resultados, a tendência é que a FA passe mais a ser tratada mais precocemente por intervenção e menos com o uso de medicação antiarrítmica.  

Novidades em marcapassos

Marcapasso é o conjunto de um dispositivo eletrônico e eletrodos ligados diretamente ao músculo cardíaco. Embora salve muitas vidas, o uso dos eletrodos diretamente no músculo pode, em longo prazo, ocasionar a perda da sincronia do coração. Duas novidades apresentadas recentemente trazem outra perspectiva ao dispositivo. 

Estimulação do Feixe de His – O Feixe de His, ou fascículo atrioventricular, é uma coleção de células musculares cardíacas especializadas em condução elétrica que transmitem impulsos elétricos vindos do nodo atrioventricular. Ao estimular o Feixe de His, é possível devolver ao coração o ritmo mais próximo ao natural. Esse processo resulta num funcionamento mais adequado e com resultados melhores do que o uso tradicional dos eletrodos diretamente no músculo.

Marcapassos sem o fio – Com uma nova tecnologia, os novos marcapassos sem fio são colocados diretamente no coração por um procedimento minimamente invasivo, via cateterismo cardíaco. Esses marcapassos não possuem eletrodos e, por isso, se mostram mais adequados aos pacientes que precisam do dispositivo por muito tempo, como é o caso de pessoas mais jovens. Essa tecnologia não está disponível no Brasil e ainda deve passar por algumas evoluções. 

Life Vest – Indicado para pacientes que não estão em condições de receber um dispositivo implantável, o Live Vest é um colete que possui eletrodos para captar o ritmo cardíaco e pás que liberam a energia necessária para interromper o episódio da arritmia automaticamente. O equipamento é utilizado temporariamente e permite que o paciente realize suas atividades normalmente e em segurança até que possa realizar o procedimento de implante. Essa tecnologia é bastante nova e ainda não está disponível no Brasil. 

Qual o valor do conhecimento?

A proposta do CardioLights é democratizar o acesso às mais recentes informações e descobertas no campo da estimulação cardíaca artificial e arritmias. “Sabemos que a maior parte dos médicos não pode acompanhar os congressos internacionais e, por isso, o CardioLights é tão importante: ele traz aos nossos especialistas brasileiros o que de mais relevante foi abordado nestes últimos eventos e que pode ser aplicado em nossos pacientes”, diz Roberto Alvarenga, Gerente Geral América Latina da BIOTRONIK. 

 

Saiba mais sobre os coordenadores médicos do CardioLights:

Carlos Kalil - médico responsável Setor de Eletrofisiologia e coordenador do Ambulatório de Arritmias e Marcapasso do Hospital São Lucas da PUCRS, Membro da European Society of Cardiology - European Heart Rhythm Association (EHRA) e da Heart Rhythm Society.

Eduardo Saad - chefe do serviço de Arritmias Cardíacas e Estimulação Cardíaca do Hospital Pró Cardíaco (RJ) e membro da Heart Rhythm Society;

José Carlos Pachon Mateos - diretor do Serviço de Eletrofisiologia Marcapasso e Arritmias do Hospital do Coração, médico chefe do Serviço de Eletrofisiologia Marcapassos e Arritmias e médico responsável pelo serviço de arritmias do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos.

Martino Martinelli Filho - diretor de Unidade Clínica do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP, membro do Heart Rhythm Society, colaborador da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), fundador e atual membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas da SBC.

Roberto Costa - diretor da Unidade de Estimulação Elétrica e Marcapasso do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; professor-associado da Disciplina de Cirurgia Cardiovascular da Faculdade de Medicina da USP.

Silas Galvão - diretor do C.A.R.E. Centro Avançado de Ritmologia e Eletrofisiologia que atua nos hospitais: Beneficência Portuguesa de São Paulo, Santa Catarina, Santa Cruz e Hospital São Paulo. Coordenador no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Ritmologia Clínica pela Beneficência Portuguesa de São Paulo. Membro de Corpo Editorial da Revista Latino-Americana de Marcapasso e Arritmia - RELAMPA.

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