Signatera: biópsia líquida personalizada
Por: Redação HOSP - 02/12/2019

Nos últimos anos, a incorporação de novo arsenal terapêutico contra o câncer, em especial as terapias-alvo e a imunoterapia, têm revolucionado os tratamentos, e trazem impactos na forma de utilização das ferramentas diagnósticas. Isso porque ambas as famílias de medicamentos têm a peculiaridade de estarem, necessariamente, associadas a uma caracterização molecular do tumor em questão, por meio de testes genéticos, denominados “companion diagnostics”. Outro importante ponto de evolução é a busca constante de formas de diagnóstico precoce do câncer, seja no primeiro diagnóstico ou no monitoramento das recorrências.

Uma das descobertas mais recentes, que investiga a presença do DNA das células tumorais de forma livre na circulação sanguínea (ctDNA = cell-free tumor DNA), permite explorar a informação contida no cfDNA empregando os mesmos métodos usados com DNA genômico tumoral e suas variantes. Este conjunto de novos testes diagnósticos baseados em ctDNA foram denominados “biópsia líquida” e usam metodologias de sequenciamento de Sanger, Next-Generation Sequencing (NGS), qPCR (Reação da cadeia da polimerase em tempo real) ou PCR digital.

A primeira demonstração prática da biópsia líquida, aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration), se deu no contexto do câncer de pulmão do tipo não-pequenas células metastático (NSCLC), para tratar mutações no gene EGFR detectadas no cfDNA com terapia-alvo de inibidores de tirosina quinase (TKIs). Posteriormente, foram desenvolvidos painéis com mais genes, como o Guardant360™ que cobre 73 genes e quatro tipos de alterações genômicas (SNVs, INDELs, Amplificações e Fusões) e pode ser aplicável à praticamente qualquer tumor sólido.

Até o momento, podemos dividir os testes de biópsia líquida em três grupos, que têm em comum os mesmos genes investigados, de forma única ou em painéis, e que conferem alguma possibilidade de intervenção ou informação prognóstica:

1.Testes que buscam mutações pontuais ou outras alterações em alvos acionáveis para pacientes em tratamento de câncer metastático

2.Testes que buscam avaliar o prognóstico ou detectar recidiva de forma precoce

3.Testes que buscam identificar alterações específicas e precoces para rastreio ou triagem de pessoas de alto risco



Outra família de biópsias líquidas, extremamente inovadora, tem como alvo identificar as alterações epigenéticas do DNA, principalmente a metilação (que pode revelar a localização do tumor primário, por exemplo). Hoje, entendemos que a metilação ou outras alterações epigenéticas são alterações relativamente precoces na oncogênese, e, portanto, alvos interessantes para a detecção precoce de tumores, sendo bastante apropriada para o rastreio (screening).

É fundamental ressaltar, no entanto, que a biópsia tecidual – que identifica órgão acometido, tipo histológico, status linfonodal e tamanho do tumor - segue insubstituível e considerada a estratégia central para o diagnóstico inicial e definição de terapia; tais informações não sendo supridas pelo cfDNA.





Uma abordagem inovadora é o teste personalizado que faz uma sofisticada análise de bioinformática empregando dados do sequenciamento do exoma por NGS, a partir de tecido tumoral, e mapeia 16 mutações clonais e subclonais que são únicas àquele tumor específico do paciente. Com essa informação, é possível customizar uma abordagem de detecção de cfDNA específico deste paciente, com uso de metodologia mais acessível em termos de custo. A detecção do cfDNA é a forma de diagnóstico de recorrência.



Desenvolvida pela empresa Natera (San Carlos, CA, EUA), esta biópsia líquida chamada “Signatera” é um teste disruptivo, que pode ser usado na maioria dos tumores sólidos e fornece informações seguras sobre o status tumoral em tempo real. Esta atualização on time permite, portanto, intervenções mais precoces que devem levar a melhores resultados clínicos, ao mesmo tempo que evita procedimentos custosos de monitoramento e tratamentos desnecessários.





*Gustavo Campana, diretor médico, José Eduardo Levi, Head de Inovação e Análises Clínicas e Cristóvam Scapulatempo, patologista, todos da Dasa.



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