Saúde 2.0
Por: Redação - 01/08/2011

O País vem surpreendendo em todas as pesquisas sobre o uso da Internet. Nós, brasileiros, estamos em primeiro lugar na América Latina no número de usuários e no tempo de navegação, além de ocuparmos a oitava posição no ranking mundial. Falando especificamente do uso de redes sociais digitais, o Brasil está sempre entre os três primeiros. No caso do Twitter, permanecemos ? de fato ? no topo. Estudos recentes mostram também que 64% dos usuários brasileiros possuem entre 15 a 34 anos, ou seja, são jovens e vivem o novo cenário chamado ?2.0?. Eles gastam até 78% do seu tempo na web social. Mas como tudo isso impacta na área da saúde? Dados novos mostram que a Internet é a primeira fonte de informação na área, seguida de médicos, parentes e amigos. Ou seja, as pessoas perguntam primeiro ao ?Dr. Google? sobre sua condição para depois buscar ajuda especializada. A medicina, em um passado não muito distante, tinha o foco na doença e suas informações eram acessíveis somente pelas organizações de saúde e médicos. Havia um paternalismo no segmento e os pacientes eram passivos e meramente ouvintes. Naquele tempo, o que o médico falava era absoluta verdade. As comunidades de suporte (grupos de apoio) eram baseadas em relações presenciais, geralmente limitada pelas pessoas que o paciente conhecia ou pela região geográfica. A mídia era preocupada em vender remédios e mais remédios, ou seja, o foco era sempre no tratamento e nunca na prevenção. Hoje, tudo mudou. O destaque fica com o paciente e a criação de conteúdo sobre saúde é fácil e sem a necessidade de conhecer uma linguagem técnica. Os blogs são prova disso. Os médicos podem publicar informações de forma mais ampla do que somente para seus pacientes, os quais, por sua vez, estão abertamente pedindo conselho sobre tudo na Internet, desde tratamentos até convênios. O cenário vai além. Os mais dedicados estão se tornando ativistas por causas como AIDS, câncer, autismo, e se mobilizando através do poder da massa nas redes sociais. Assim, a ?Saúde 2.0? surgiu e significa que cada paciente pode ter sua própria voz para compartilhar experiências. Somente nos EUA, 83% dos usuários de Internet procuram por informações de saúde. Há diversos casos de uso da web social, como por exemplo, centros de controles de doenças que usam o Twitter para alertar sobre pandemias. Os hospitais americanos também são modelos de sucesso, pois usam o canal para recrutar doadores de órgãos, sangue, levantar fundos e alertar a comunidade. Para os pacientes, as redes sociais podem ser usadas para direcionar conteúdo personalizado, alertar sobre exames, promover a saúde e o bem-estar, entre outros. Já existem casos bem sucedidos neste sentido: a rede PatientsLikeMe.com, a qual é usada para rastrear resistências a antibióticos. E o futuro? Se no passado o foco era na doença, no presente é no paciente, e no futuro será ?do? paciente. Dados agregados de milhões de pessoas através da Internet transformarão os moldes de pesquisa pela colaboração em massa. Através das redes sociais, o diagnóstico dos casos mais difíceis será estudado em crowdsourcing, modelo de produção recente que utiliza a mão-de-obra coletiva para desenvolver produtos ou encontrar soluções para um determinado problema. Será o paciente que irá monitorar e controlar sua saúde através de dispositivos móveis conectados à rede. Além disso, eles terão mais conhecimento sobre suas condições e poderão compartilhá-las com os provedores para melhorar a precisão do seu tratamento, diminuir a sinistralidade e até ganhar descontos pela prevenção. Os registros também sofrerão mudanças: seguirão o paciente e darão mais poderes e responsabilidades nas mãos dele. O futuro da saúde passa pelas redes sociais digitais, haverá mais prevenção, menos doenças e a medicina será participativa. Como profissional da área, qual linha você seguirá: passado, presente ou futuro?

(Por Rafael Kiso, diretor de novos negócios da Focusnetworks, empresa especializada em Social Business e que presta consultoria para hospitais, laboratórios e clínicas de todo Brasil.
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