Gestão hospitalar: como alcançar bons resultados?
Por: Ana Júlia Alves de Faria - 16/12/2013

Em todos os meios de comunicação, quando ouvimos falar dos hospitais e suas administrações, as notícias não costumam ser animadoras. Problemas como a grande fila de espera, a falta de medicamentos, os leitos nos corredores e a falta de médicos são temas recorrentes. A questão é: qual o caminho para mudar esse cenário?

Os hospitais são empresas complexas que exigem uma gestão mais aprimorada. Além disso, sua profissionalização é recente quando comparada à gestão dos demais setores da economia. Estudos específicos nesta área foram iniciados timidamente há 40 anos, sendo que, somente nos últimos 20, foram ganhando notoriedade.

Ao longo destas poucas décadas, alguns métodos foram desenvolvidos para aprimorar processos específicos da atividade hospitalar. As unidades de assistência direta, como a emergência, enfermaria e centro cirúrgico, são as mais críticas e, portanto, as mais estudadas.

O pronto-socorro hospitalar é comumente visto como o "grande vilão", mas na verdade sua superlotação é um problema sistêmico. É o resultado da má gestão dos sistemas e dos serviços de saúde e não a causa dos problemas. Por isso, cabe ao gestor, frente à grande demanda, organizar os processos internos críticos e priorizar o atendimento por gravidade.

A fim de atender estas necessidades, foram desenvolvidos sistemas de triagem hospitalar. Entre os Sistemas de triagem existentes, o Sistema de Triagem de Manchester, criado no Reino Unido em 1997, é o mais difundido, seguindo uma metodologia específica para alcançar bons resultados.

Primeiramente, a queixa principal (sinal ou sintoma chefe) do paciente deve ser identificada pelo profissional para que, através desta, ele escolha o fluxograma mais apropriado entre os 52 existentes. Cada fluxograma tem discriminadores referentes às queixas dos pacientes, que aparecem em ordem decrescente de gravidade.

Ao final do processo, o paciente será classificado dentro de uma das cinco cores de acordo com a prioridade de atendimento. Este sistema, além de classificar a gravidade dos pacientes, determina tempos máximos de atendimento para cada caso, reduzindo taxas de mortalidade.

Outros setores essenciais à assistência hospitalar como enfermaria e centro cirúrgico também se beneficiam com novas ferramentas de gestão. A gestão de leitos interligada à agenda cirúrgica, metodologia desenvolvida pelo ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), é um bom exemplo. Este método gerou resultados como aumento da taxa de ocupação de leitos e aumento da taxa de utilização das salas cirúrgicas, indicadores de eficiência essenciais na atividade hospitalar.

No caso do ICESP, o gerenciamento de leitos é realizado através de ações sinérgicas e sequenciais em uma central que observa também os agendamentos cirúrgicos eletivos e transferências. Para isto acontecer, o sistema foi customizado fornecendo uma série de indicadores e informações referentes ao status dos leitos.

A gestão de leitos é realizada de forma conjunta com a gestão da agenda cirúrgica, que tem início no atendimento ambulatorial, onde o kit cirúrgico oficializa a indicação de cirurgia e o paciente é cadastrado no Banco de Pacientes. O status dos pacientes deste banco é monitorado de forma que possíveis causas de suspensão de cirurgia, como a não realização de algum exame, por exemplo, possam ser identificadas precocemente, otimizando a utilização do centro cirúrgico.

Além da melhoria na eficiência dos setores críticos do hospital, o alcance de bons resultados também está diretamente relacionado à gestão da qualidade. Com esta finalidade, surgiram as acreditações, um processo no qual uma entidade avalia a organização para determinar se atende a um conjunto de requisitos (padrões) projetado para melhorar a segurança e a qualidade dos cuidados. Apesar da relevância do tema, menos de 1% dos hospitais do Brasil são acreditados.

O que se conclui é que, apesar de apresentarem dificuldades e diferentes realidades, os hospitais podem melhorar seus resultados. Esta construção passa pelo longo caminho do aprendizado de novos métodos e da profissionalização da gestão deste setor.

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