Documentário aborda trajetória da AIDS para desconstruir mitos e desinformação
Por: Portal Imprensa - 07/12/2018
Por Marta Teixeira 

Em 2006, a crônica "Carta para além dos muros" - a primeira de quatro produzidas pelo escritor Caio Fernando Abreu, ajudou a sociedade brasileira a lançar um outro olhar sobre a descoberta do vírus HIV e a AIDS. Doze anos depois, o cineasta André Canto busca objetivo semelhante com  documentário homônimo. 

Crédito:Divulgação
 

"É uma homenagem ao Caio, mas também uma imagem que tentei levar para o filme", diz Canto explicando a escolha do título. O cenário no qual foram gravados os depoimentos mostra um muro com uma porta aberta para a rua. "Até hoje a gente fala sobre HIV e AIDS sempre escondidinho, como algo muito difícil, muito pesado, que tem de ser falado entre quatro paredes. Minha proposta com esse filme é abrir essa porta. Vamos mandar nossas cartas para além dos muros. Vamos passar por esse muro." 

"Carta para além dos muros" teve seu trailer lançado essa semana e Canto espera que o documentário contribua para combater o estigma social que permanece atrelado à doença e suas vítimas. A ciência conquistou grandes avanços no tratamento da doença, mas as sete letrinhas que a identificam, HIV e AIDS, ainda são cercadas de tabu. "Uma pergunta sempre me guiou nesse processo. Tentei entender porque, apesar de todos os avanços no tratamento e na prevenção, a gente ainda tem uma percepção muito mais próxima da doença letal dos anos 80 do que da realidade", explica o diretor. 

Em busca dessa desmistificação, Canto dá voz a personagens com ligações importantes nesse universo. Personalidades públicas - como os médicos Drauzio Varella e Ricardo Tapajós, os ex-ministros da Saúde, José Serra e José Gomes Temporão, e a mãe do cantor Cazuza, Lucinha Araújo - juntam-se a anônimos que relatam sua vida e experiências envolvendo a doença.  

O documentário trata o assunto com uma linguagem simples para atingir um público amplo, mas o tema é abordado com profundidade. O infectologista Ricardo Vasconcelos e a UNAIDS, programa da Organização das Nações Unidas para combater a doença, deram a consultoria técnica para a produção e quanto mais aprendia, mais Canto percebia o fosso que separa a realidade do imaginário ligado à doença. 

"Quando a gente se propõe a estudar e entender, percebe que é uma doença que se consegue tratar. Porém, quando recebe o diagnóstico, as pessoas entram em pânico. Acham que vão morrer, se deprimem, mesmo depois de entender, elas não conseguem tirar esse pensamento da cabeça, não se sentem à vontade de contar para pessoas próximos porque a sociedade ainda não consegue lidar bem com isso", analisa o diretor. 

E a desinformação é um dos elementos que mais pesa para a situação permanecer inalterada. "Muita informação não chega às pessoas e o medo, o pânico permanecem. Não saber do real estágio do HIV e da AIDS hoje no mundo faz com que o preconceito e o estigma continuem", lamenta. 

O projeto teve início em julho de 2017. Além do documentário - produzido pela Canto Produções e com previsão de lançamento em abril de 2019 - serão produzidos uma série televisiva em três episódios, que deve ser lançada no fim do próximo ano, e um livro, a ser lançado em 2020. Canto ainda busca recursos para viabilizar o projeto em sua totalidade. Até o momento, o valor arrecadado só cobre 40% das despesas, afirma. 

No ano passado, Canto foi um dos convidados do Fórum AIDS - iniciativa promovida pela Revista e Portal IMPRENSA, em parceria com o Ministério da Saúde e o curso de jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e apoio do UNAIDS -, que terá uma nova edição realizada hoje, em São Paulo. "Admiro muito a iniciativa porque ajuda justamente no cerne do que conversamos: precisamos falar sobre isso. Precisamos reunir pessoas que trabalham, estudam, vivem essa realidade e podem ajudar e comunicar para toda a sociedade", elogia. 

 

 

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