A expansão da Hotelaria Hospitalar
Por: Sonia Watanabe - 16/10/2013

O Estado de São Paulo se destaca no cenário nacional, pela sua produção industrial, pelo grande fluxo de informações e por disponibilizar uma gama completa de serviços. Neste contexto, nasceu aqui, em 1997, o primeiro modelo de gestão em hotelaria hospitalar, como parte de uma estratégia empresarial de um hospital privado, onde foi fundamental a contratação de um executivo experiente na operação de hotel de luxo. Desde então isto vem se consolidando fortemente nos hospitais de grande porte. Nosso último levantamento, realizado em 2011, constatou que cerca de 64% de nossos hospitais já estabeleceram um setor de hotelaria hospitalar.

Além disso, a cidade tem um número considerável de hospitais de categoria internacional, que já passaram pelo sistema de acreditação Joint Comission International, que confere qualidade internacional, garantindo que os serviços hospitalares estejam em conformidade com os mais elevados padrões de segurança do paciente.

Por outro lado, nos últimos dois anos, temos visto uma procura maior para atender demandas de Consultoria e Treinamentos com foco em Hospitalidade, em cidades como Campinas, Ourinhos, Jaguariúna, Araraquara, Rio Claro, Vale do Paraíba, dentre outras, indicando o início do processo de interiorização da hotelaria hospitalar, ganhando espaço em hospitais de pequenos até médio porte, sediados em cidades do interior paulista.

Outro movimento que comprova o crescimento da Hotelaria nos serviços de Saúde está na própria capital, entretanto, agora em hospitais de pequeno porte, com poucos leitos, em regiões fora do Eixo Paulista - Clínicas, demonstrando que a busca pela melhoria do conforto e bem estar passa a ser prioridade também para este segmento. Estes hospitais são frequentemente empresas familiares, ou seja, onde um pequeno grupo ou família de médicos se dedicam à gestão hospitalar cada vez mais profissionalizada e com visão voltada para o mercado.

Uma nova frente se abre para a hotelaria hospitalar, neste vasto Brasil, em localidades com vocação para o agronegócio. São cidades de menor porte, com grande crescimento econômico, porém com pouca oferta de hospitais de alta complexidade: é o caso da cidade de Lucas do Rio Verde no Mato Grosso. Mesmo sem concorrentes, o Hospital São Lucas, tem investido na implementação do conceito de Hotelaria hospitalar. Hospitais afastados de capitais como é o caso do Hospital e Maternidade Jaraguá, em Santa Catarina, bem como a o Hospital Vida e Saúde, de Santa Rosa, no extremo oeste do Rio Grande do Sul, estão também empenhados em oferecer qualidade, humanização e hospitalidade.

E para finalizar, tenho visto grandes hospitais universitários no eixo São Paulo - Minas Gerais também investirem fortemente na implementação do conceito de hotelaria hospitalar, mudando para sempre a ideia que a hotelaria serve somente para a elitização dos serviços. Parabenizo as iniciativas governamentais nesta questão, pois com certeza tais mudanças impactam profundamente na humanização dos serviços prestados.

A oferta hospitalar cada vez mais qualificada, a demanda de saúde mais experiente, a implementação do modelo de hotelaria hospitalar é fundamental para a inovação na gestão hospitalar e manter-se frente aos futuros desafios que virão para o país, tais como a Copa 2014, Olimpíadas 2016 e o Turismo Médico.

Este rápido panorama sobre a hotelaria hospitalar em São Paulo, nos mostra que as organizações devem ainda melhorar as práticas no sentido de oferecer mais conforto, desafiando a gestão profissional destas e de outras organizações, pois as práticas não são 100% difundidas e nem há uma padronização para oferecimento de conforto e bem estar.

A primeira grande mudança trazida pela hotelaria nos hospitais é a melhoria na estrutura física. Em 55% das recepções dos hospitais, há climatização. O parâmetro recomendado pela Organização Mundial da Saúde recomenda que a temperatura esteja em 21ºC a 23ºC.

Embora o estacionamento com serviço de manobrista agilize e otimize o atendimento, somente 41% dos hospitais disponibilizam este tipo de serviço; e 92% têm restaurante ou lanchonete nas suas dependências, demonstrando preocupação em oferecer alimentação aos usuários.

O aposento do cliente de saúde é um lugar especial, onde processo de recuperação acontece, sendo um espaço para nutrição, asseio pessoal, repouso, entretenimento e o recebimento de visitas. Em 71% dos quartos hospitalares pesquisados tem vista agradável, mantendo uma varanda ou sacada, conferindo privacidade e conforto aos pacientes e acompanhantes.

  • Rádio e TV a cabo estão presentes em 93% dos aposentos
  • 71% disponibilizam conexão wifi
  • 85% oferecem frigobar e telefone
  • Somente 36% deles oferecem cofre para uso individual do cliente
  • 64% deles oferecem um kit de higiene pessoal
  • E somente 14% se preocuparam com o secador de cabelos.










Sonia Watanabe é graduada em Gestão Hotelaria, especialista em Administração Hospitalar e Mestre em Hospitalidade. Com 19 anos de experiência profissional, desenvolve atividades de pesquisa e desenvolvimento para o setor de saúde e educação. Contato: sonia@hospitalite.com.br

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