Exemplo internacional deve inspirar o Brasil
Por: Paulo Cezar Martins Pereira - 16/12/2013
Adoção do cobre antimicrobiano em edifícios de hospitais e serviços de saúde é o caminho

As propriedades bactericidas do cobre são amplamente reconhecidas internacionalmente. Estudos e artigos publicados demonstraram nitidamente que algumas das espécies mais tóxicas de bactérias, fungos e vírus não sobrevivem em contato com o cobre. Ou seja, o metal conhecido por sua grande aplicabilidade, usado em larga escala para a produção de produtos como fios elétricos, tubos industriais, material hidráulico e tantas outras, também detém uma excelente condição de antimicrobiana agindo, em poucos minutos, com eficácia, na eliminação ou inatividade de bactérias, fungos e vírus.

Um fator crítico responsável pelas propriedades antimicrobianas do cobre é a habilidade deste metal em aceitar ou doar facilmente seus elétrons (ou seja, o cobre tem uma alta oxidação catalítica e um alto potencial de redução). Esta propriedade química permite que os íons de cobre alterem as proteínas dentro das células dos micróbios para que as proteínas já não possam realizar suas funções normais. Os cientistas também observaram que o cobre é responsável por inibir o transporte eletrônico nas interações da parede celular, ligando o DNA e desordenando as estruturas helicoidais. Através destes mecanismos e outros, o cobre deixa inativos muitos tipos de bactérias, fungos e vírus.

Apenas para ilustrar a enorme contribuição que o cobre antimicrobiano pode dar na melhoria da qualidade de vida das populações, vale citar dois diferentes tipos de bactérias que transmitem doenças muito comuns e que podem ser evitadas : o Actinomucor elegans, origina a sinusite; e o Tubercle bacillus, a tuberculose. Isto sem mencionar outras inúmeras infecções, algumas de elevada fatalidade, que podem proliferar pelo simples contato nos ambientes hospitalares.

Outra preocupação que relaciona os cuidados com a saúde e os edifícios modernos, é a exposição a microorganismos tóxicos. Assim surge a grande necessidade de melhorar as condições higiênicas dos sistemas de ar condicionado, ventilação e aquecimento, os quais podem causar 60% das enfermidades nos edifícios. Um exemplo, deste perigo: foi demonstrado que as palhetas constituídas de outros metais dos sistemas de ar condicionado, ventilação e calefação são fonte importante de populações microbianas. Mais uma vez, o cobre antimicrobiano surge como a alternativa mais apropriada em substituição aos materiais biologicamente inertes nos tubos do trocador de calor, nas palhetas, nos filtros e nos ductos. O cobre apresenta-se como meio efetivo quanto a custos para controlar o aumento de bactérias e fungos que se desenvolvem nestes sistemas. Nos hospitais, por exemplo, que abrigam pessoas imunocomprometidas, a exposição a potentes microorganismos provenientes dos sistemas de ar condicionado, ventilação e calefação pode ser fatal, causar infecções severas, comprometendo o estado de saúde já debilitado dos pacientes.

Diante de tantas evidências científicas, inúmeros países da América do Norte, do Sul e da Europa estabeleceram políticas e ações de incentivo ao uso deste precioso metal nas superfícies de contato de edifícios, sobretudo os que sediam os serviços de saúde, as clínicas e hospitais públicos e privados, a fim de evitar a transmissão e a disseminação de um universo de bactérias.

Embora os benefícios sejam muitos em todas as aplicações citadas, da comprovada a eficácia do cobre antimicrobiano em eliminar, em até duas horas, bactérias presentes nas superfícies como corrimões, maçanetas, móveis e utensílios hospitalares, barras de aparelhos de fisioterapia, no Brasil ainda há uma enorme resistência na adoção do material. De forma conservadora, alguns profissionais da saúde, assim como dirigentes de hospitais exigem comprovações absolutas da relação custo x benefício do cobre antimicrobiano, em substituição aos materiais tradicionalmente usados no mobiliário hospitalar e demais superfícies. Mesmo diante de resultados alcançados em outros países, ainda existem muitas reservas, solicitação de comprovações do êxito do material especificamente em condições brasileiras. A indústria de mobiliário hospitalar, por sua vez, resiste em propor novas linhas de produtos empregando o cobre alegando não haver demanda consistente por parte dos hospitais. Embora o mercado potencial seja significativo, uma vez que os hospitais brasileiros dos grandes centros vêm investindo em modernizações, no momento um círculo vicioso se estabelece: não haveria demanda por não existir oferta e não haveria oferta por não existir demanda.

Outro argumento que já foi empregado é o custo do cobre, uma dificuldade inicial pelo valor agregado que o metal possui. Porém, já foi demonstrado que nestes casos o retorno sobre o investimento é muito rápido, levando em conta principalmente a redução de despesas decorrentes da minimização de índices de infecção hospitalar e de transmissão de doenças. Os valores que deixarão de ser investidos com essa redução são muito expressivos.

Enfim, o Brasil de hoje que demanda por urgente melhoria na qualidade da saúde da população não pode dar-se ao luxo de ignorar a contundente eficácia da aplicação do cobre antimicrobiano na redução de moléstias, algumas de caráter grave. Existem mais de 300 ligas de cobre Antimicrobial já registradas na agência de proteção ambiental norte americana (EPA), com diferentes tipos de cobre que contribuem sensivelmente para a drástica diminuição de proliferação de algumas enfermidades. O exemplo dos demais países deve inspirar a todos nós. Não podemos mais permanecer na contramão.

Paulo Cezar Martins Pereira é gerente de vendas e marketing da Termomecanica

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